“Leito de Procusto”
Uma antiga lenda grega nos conta sobre um homem rico , poderoso , absequioso e cortês , de nome Procusto, que tinha por hábito convidar estranhos para seu palácio . O hóspede era recebido com requinte : túnicas primorosamente talhadas, vinhos muito especiais , iguarias inesquecíveis e... um leito suntuoso . Ao visitante porém um único problema se apresentava: encaixar-se perfeitamente no leito . Se houvesse qualquer discrepância , entre os tamanhos da cama e do convidado , este era cortado ou esticado para que se adequasse às proporções devidas. A morte era quase certa ! Só poucos e raros convidados , absolutamente adequados à dimensão pré-estabelecida, alcançavam a velhice.
Num primeiro ela deve, no mínimo , transformar-se num arremedo de não deficiente . Suas diferenças devem ser neutralizadas ao máximo : sua aparência , sua aprendizagem, seu desempenho – tudo isso deve aproximar-se do esteticamente usual , do pedagogicamente tradicional, de uma pauta de comportamento habitual . Acrescento a isso o fato desses parâmetros de normalidade serem às vezes mais rígidos e estáticos com relação à pessoa deficiente do que seriam de forma geral.
AMARAL, Lígia Assumpção. Pensar a diferença /deficiência . Brasília: Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência , 1994 – p 43-44.